
19:49, noite chuvosa de uma quinta feira. A alta música, inundando os poucos metros deste quarto, torna-se um refúgio. Refúgio para não escutar os gritantes pensamentos de decepção. E hipocrisia, por que não dizer?
Minha mãe, a qual prefiro não nomear, grita pela casa. Chama-me de assassino. Um assassino de mãos limpas. Culpado por crime onde sou inocente. Culpado pela morte de minha avó. Arma do crime? Homossexualidade. Homossexualismo, se formos perguntar a minha mãe. Melhor dizendo: aberrações pecaminosas.
Na verdade, a palavra assassino, proferida pela minha mãe, soa como gay em meus ouvidos. Este é meu maior crime, meu maior pecado. Assumido desde novembro de 2007, 22 de novembro, enfrento esta constante luta rumo à derradeira derrota. Não encarem derrota como morte, fracasso, ou algo similar. Encarem derrota como minha próxima saida de casa, rumo ao hexa das expulsões. Rumo à independência de um apartamento. Rumo à formação superior. Rumo a um emprego bastante digno.
Este é o reflexo de minha derrota. Este é o reflexo de uma família hipócrita onde valores como a beleza de sua casa, o ano de seu carro, o penteado de seu cabelo, são mais fundamentais que o direito de inflar seu pulmões e proferir seus verdadeiros desejos.
E prosseguindo minha noite, Queen mergulha o quarto no hino We Are the Champions, my friend, enquanto suplico um cigarro. Porém, nesta estrada, não sigo mais solitário. Nesta solidão, encontro-me acompanhado. E nesta companhia me apóio.
P.S. não serão sempre posts depressivos assim. Controlem seus anti depressivos e mantenham objetos cortantes longe dos pulsos. Tentarei o mesmo aqui deste lado.
